Líderes do DEM relacionam discurso de Lula ao nazismo

A cúpula do DEM reagiu nesta terça-feira aos ataques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao partido. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), disse que Lula agiu de forma “desequilibrada” e “autoritária” ao afirmar que é preciso “extirpar” o DEM da política brasileira.

GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

“O caminho para extirpar o adversário é na linha da Alemanha nazista. O presidente age de forma autoritária ao invés de deixar o eleitor decidir. Ele teve coragem, numa forma absurda, de sugerir isso em um momento eleitoral.”

Maia disse que o DEM não pretende ingressar com ações judiciais contra Lula porque a relação com o presidente é política. “Temos certeza que esse é o caminho para a democracia. Pena que o presidente não ache isso. Veja do que é capaz um líder, mesmo com altas popularidades.”

O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) disse que a frase de Lula veio em um “bom momento” para mostrar à população brasileira os riscos da manutenção do PT no poder. “Está nascendo um déspota. Ele demonstra o viés antidemocrático do governo para o qual o Brasil está caminhando. Espero que a frase sirva de advertência para o povo brasileiro de que esse é o caminho de um partido cínico.”

Líder do DEM na Câmara, o deputado Paulo Bornhausen (SC) disse em nota que Lula, para pronunciar o nome dos Bornhausen dentro de Santa Catarina, “tem que estar são e lavar a boca antes”.

Filho do ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen, o democrata classificou o discurso do presidente de “retórica nazi-facista” com a qual, segundo ele, “Lula tentou dividir o Brasil em dois países, de pobres e ricos”.

No discurso, Lula afirmou que “já sabemos quem são os Bornhausen. Eles não podem vir disfarçados carneiros. Já conhecemos as histórias deles”. O presidente ainda disse que o DEM é um partido que “alimenta ódio”. Lula se referia a uma frase dita em 2005 por Jorge Bornhausen, durante o escândalo do mensalão. Ao falar do PT, ele comentou: “Estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos”.

BONECAS DE VENTRÍLOQUO

Na nota, Bornhausen chama a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) e a candidata petista ao governo catarinense, Ideli Salvatti, de “bonecas de ventríloquo” –as duas estavam no palanque ao lado de Lula em comício realizado na noite de ontem em Joinville.

“O catarinense devolverá suas ofensas derrotando suas candidatas e bonecas de ventríloquo. O catarinense vai, mais uma vez, confirmar porque o nosso estado é exemplo de desenvolvimento e qualidade de vida: porque aqui o PT nunca governou.”

Para Maia, os ataques de Lula são consequência da liderança do senador Raimundo Colombo (DEM-SC) nas pesquisas de intenção de votos para o governo de Santa Catarina. “Ele estava em Santa Catarina, onde a figura mais emblemática é o [ex] senador Bornhausen. É uma agressão injusta para quem garantiu o equilíbrio institucional do país em 2005, no escândalo do mensalão.”

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