{"id":23381,"date":"2014-08-17T13:05:35","date_gmt":"2014-08-17T13:05:35","guid":{"rendered":"http:\/\/opatriota.org\/portal\/?p=23381"},"modified":"2023-01-19T22:35:54","modified_gmt":"2023-01-20T01:35:54","slug":"o-acre-non-es-fiesta-es-revolucion","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/opatriota.org\/?p=23381","title":{"rendered":"O Acre &#8211; Non es fiesta, es revoluci\u00f3n"},"content":{"rendered":"<p>E o dia 6 de agosto, maior marco da bravura do povo brasileiro, passou mais uma vez em brancas nuvens.<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_23383\" aria-describedby=\"caption-attachment-23383\" style=\"width: 480px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-23383\" title=\"Pl\u00e1cido de Castro deveria ser considerado o maior her\u00f3i da Hist\u00f3ria do Brasil\" alt=\"Pl\u00e1cido de Castro deveria ser considerado o maior her\u00f3i da Hist\u00f3ria do Brasil\" src=\"http:\/\/179.184.27.64\/opatriota\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/placido1.jpg\" width=\"480\" height=\"360\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-23383\" class=\"wp-caption-text\">Pl\u00e1cido de Castro deveria ser considerado o maior her\u00f3i da Hist\u00f3ria do Brasil<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align:justify;\"><strong>Carlos Newton<\/strong><br \/>\nTribuna da Internet<br \/>\n09 de agosto de 2014<\/p>\n<p>\u00c9 decepcionante constatar que o Brasil n\u00e3o cuida de sua mem\u00f3ria. Se voc\u00ea perguntar a algum historiador brasileiro sobre o dia 6 de agosto, possivelmente ele n\u00e3o lembrar\u00e1 do que se trata. Se o historiador for cat\u00f3lico, pode ser que se lembre de que se trata do Dia de Nosso Senhor do Bonfim ou de Bom Jesus da Lapa. Se for estudioso da Hist\u00f3ria das Am\u00e9ricas, poder\u00e1 lembrar que foi em 6 de agosto que Sim\u00f3n Bol\u00edvar entrou em Caracas, ap\u00f3s a vit\u00f3ria de Taguanes, e recebeu o t\u00edtulo honor\u00edfico de Libertador, e 12 anos depois, tamb\u00e9m num 6 de agosto, Bol\u00edvar declarou a independ\u00eancia do pa\u00eds que levou seu nome, a Bol\u00edvia.<\/p>\n<p>Mas dificilmente o historiador se lembrar\u00e1 do que deveria significar o 6 de agosto para os brasileiros, por ser a data em que se iniciou a revolu\u00e7\u00e3o que culminou na anexa\u00e7\u00e3o do Acre ao territ\u00f3rio nacional, livrando a Amaz\u00f4nia da possibilidade de ser colonizada pelo Imp\u00e9rio brit\u00e2nico, que na \u00e9poca (1902) dominava a maior parte do mundo e estava tentando usurpar a Amaz\u00f4nia com apoio dos Estados Unidos, que mal come\u00e7ava a ser firmar como grande pot\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A corrida da borracha<\/strong><br \/>\nNaquele in\u00edcio de s\u00e9culo XX, a borracha j\u00e1 se tornara uma das mais importantes e estrat\u00e9gicas mat\u00e9rias-primas, e toda a produ\u00e7\u00e3o mundial provinha de um s\u00f3 lugar, a Amaz\u00f4nia, onde vicejava a nativa hevea brasiliensis, que era mais abundante justamente no territ\u00f3rio boliviano do Acre, uma extensa regi\u00e3o que desde os anos 1870 vinha sendo colonizada por brasileiros, que emigravam para viver da borracha. L\u00e1 havia seringueiros e aventureiros de todo o pa\u00eds, mas a imensa maioria vinha do Nordeste, sobretudo do Cear\u00e1.<\/p>\n<p>Um desses aventureiros chama-se Jos\u00e9 Pl\u00e1cido de Castro, era ga\u00facho de S\u00e3o Gabriel, filho do capit\u00e3o Prudente da Fonseca Castro, veterano das campanhas do Uruguai e do Paraguai, e de Dona Zeferina de Oliveira Castro.<\/p>\n<p>Pl\u00e1cido come\u00e7ou a trabalhar aos 12 anos \u2013 quando perdeu o pai \u2013 para sustentar a m\u00e3e e os seis irm\u00e3os. Aos 16 anos, ingressou na vida militar, chegando a 2\u00b0 sargento, entrou na Escola Militar do Rio Grande do Sul e depois lutou na Revolu\u00e7\u00e3o Federalista ao lado dos \u201cmaragatos\u201d, chegando ao posto de Major. Com a derrota para os \u201cpica-paus\u201d, que defendiam o governo Floriano Peixoto, Pl\u00e1cido decidiu abandonar a carreira militar e recusou a anistia oferecida aos envolvidos na Revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mudou-se para o Rio de Janeiro,\u00a0 foi inspetor de alunos do Col\u00e9gio Militar, depois empregou-se como fiscal nas docas do porto de Santos, em S\u00e3o Paulo e, voltando ao Rio, obteve o t\u00edtulo de agrimensor. Inquieto e \u00e0 procura de desafios, viajou para o Acre, em 1899, para tentar a sorte como agrimensor e logo arranjou trabalho por l\u00e1.<\/p>\n<p><strong>O Bolivian Syndicate<\/strong><br \/>\nHavia uma antiga disputa de terras entre Brasil e Bol\u00edvia, os colonos brasileiros j\u00e1 tinham at\u00e9 declarado duas vezes a independ\u00eancia do Acre, mas o governo brasileiro mandara tropas para devolver o territ\u00f3rio \u00e0 Bol\u00edvia. At\u00e9 que surgiu a not\u00edcia de que a Bol\u00edvia havia arrendado o Acre aos Estados Unidos, atrav\u00e9s do Bolivian Syndicate, uma associa\u00e7\u00e3o anglo-americana sediada em Nova York e presidida pelo filho do ent\u00e3o presidente dos EUA, William McKinley.<\/p>\n<p>O acordo autorizava o Bolivian Syndicate a usar for\u00e7a militar como garantia de seus direitos na regi\u00e3o, as leis e os ju\u00edzes seriam norte-americanos, a l\u00edngua oficial seria o ingl\u00eas e os Estados Unidos se comprometiam a fornecer todo o armamento que necessitassem. Al\u00e9m disso, tinham a op\u00e7\u00e3o preferencial de compra do territ\u00f3rio arrendado, caso viesse a ser colocado \u00e0 venda. E a Bol\u00edvia tamb\u00e9m se comprometia em, no caso de uma guerra, a entregar a regi\u00e3o aos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Pl\u00e1cido de Castro estava demarcando o seringal Vict\u00f3ria, quando ficou sabendo do acordo pelos jornais e viu nisto uma amea\u00e7a \u00e0 integridade do Brasil. Tinha 27 anos, era o \u00fanico militar de carreira que morava naquela regi\u00e3o e decidiu liderar uma resist\u00eancia. Convocou os comerciantes, seringalistas e emigrantes brasileiros, formou um pequeno grupo de guerrilheiros e aproveitou o dia 6 de agosto, feriado nacional na Bol\u00edvia, para iniciar a revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>A revolu\u00e7\u00e3o come\u00e7a&#8230;<\/strong><br \/>\nQuando Pl\u00e1cido chegou com cerca de 60 guerrilheiros ao pequeno quartel do Ex\u00e9rcito boliviano na vila de Rio Branco, \u00e0s margens do Rio Acre, o oficial boliviano julgou que os brasileiros vinham comemorar o feriado. \u201cEs temprano para la fiesta\u201d, disse ele, e Castro respondeu: \u201cNon es fiesta, es revoluci\u00f3n\u201d. E a guerra come\u00e7ou, para desespero do governo brasileiro, que n\u00e3o se interessava pelo Acre.<\/p>\n<p>O governo boliviano logo enviou mais um contingente de 400 homens, comandados por Rosendo Rojas. Mas Pl\u00e1cido de Castro, percursor da guerrilha na selva,\u00a0 se revelou um grande estrategista e conseguiu enfrentar e derrotar o Ex\u00e9rcito e a Marinha da Bol\u00edvia em v\u00e1rias batalhas.<\/p>\n<p>Os combates da Revolu\u00e7\u00e3o Acreana duraram v\u00e1rios meses e a revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 acabou em janeiro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petr\u00f3polis, pelo qual o Brasil comprou o territ\u00f3rio do Acre \u00e0 Bol\u00edvia, anexando essas terras ao nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do Brasil seguir dominando o com\u00e9rcio mundial da borracha, outro resultado da vit\u00f3ria da Revolu\u00e7\u00e3o liderada por Pl\u00e1cido de Castro foi o sepultamento do sonho anglo-americano de dominar o Acre e a Amaz\u00f4nia. Ao vencer o Ex\u00e9rcito e a Marinha da Bol\u00edvia, aqueles valorosos guerrilheiros brasileiros na verdade estavam derrotando tamb\u00e9m a maior pot\u00eancia militar do mundo, a Inglaterra, e seu principal aliado, os Estados Unidos.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma hist\u00f3ria linda, que infelizmente n\u00e3o se aprende nos col\u00e9gios brasileiros. Somente \u00e9 lembrada . Mas um dia o major Pl\u00e1cido de Castro h\u00e1 de se lembrado e homenageado como um dos maiores her\u00f3is deste pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">[<a href=\"history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E o dia 6 de agosto, maior marco da bravura do povo brasileiro, passou mais uma vez em brancas nuvens.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-23381","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23381","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23381"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23381\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72548,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23381\/revisions\/72548"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23381"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23381"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23381"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}