{"id":5308,"date":"2009-07-23T20:08:53","date_gmt":"2009-07-23T23:08:53","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=5308"},"modified":"2023-01-16T08:47:35","modified_gmt":"2023-01-16T11:47:35","slug":"o-candidato-serra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/opatriota.org\/?p=5308","title":{"rendered":"O candidato Serra"},"content":{"rendered":"<div id=\"yiv1774820028\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Por:<strong>Ipojuca  Pontes<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Para alguns especialistas em marketing pol\u00edtico, o nome define o candidato. Melhor dizendo: segundo tais especialistas, em determinadas elei\u00e7\u00f5es, um nome, considerado fat\u00eddico, pode criar, na cabe\u00e7a do eleitor, consciente ou inconscientemente, certo tipo de \u2013 v\u00e1 l\u00e1 o termo &#8211; resist\u00eancia. Por exemplo, Covas. Com um nome assim, que, sempre, se pode associar \u00e0 imagem de caverna, buraco, tumba ou pren\u00fancio de morte, o sujeito, dificilmente, chegaria \u00e0 presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Outro nome, por assim dizer, sombrio: Serra. Ao ouvir a articula\u00e7\u00e3o da palavra \u201cSerra\u201d, pode-se, logo, imaginar uma l\u00e2mina longa, dentada, a serrar os ossos do cidad\u00e3o. Ou at\u00e9, quem sabe, a boca de um tubar\u00e3o, com fileiras de dentes pontiagudos, prontos para abocanhar as cartilagens do infeliz banhista. Se os profissionais do marketing pol\u00edtico estiverem certos, Jos\u00e9 Serra, o candidato \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica (e atual governador de S\u00e3o Paulo ), carrega nome designativo de maus press\u00e1gios e, por ila\u00e7\u00e3o, incapaz de comover o eleitorado (nacional), em suas pretens\u00f5es presidenciais \u2013 pretens\u00f5es que j\u00e1 foram repudiadas, em 2002, pela vontade do eleitor.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas o candidato Serra n\u00e3o carrega grau de animosidade eleitoral, apenas, no nome: sua cara insulsa, por guardar permanente ricto de desgosto, causa, sempre, uma sensa\u00e7\u00e3o de desconforto, em quem o observa, por mais de dois minutos. De fato, bem examinado, parece n\u00e3o haver, naquele semblante, resqu\u00edcio not\u00e1vel de alma, calor, vida emotiva ou paix\u00e3o. De minha parte, por mais boa vontade que mantenha, ao encarar o pol\u00edtico Jos\u00e9 Serra, tenho o pressentimento de que, por tr\u00e1s daqueles olhos de palha\u00e7o triste, efervescem, num s\u00f3 caldo, ressentimento, maquiavelismo e ambi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Ademais, para al\u00e9m dos maus press\u00e1gios, acima levantados, acresce que o passado pol\u00edtico do candidato Serra, pelo menos para a \u00f3tica democrata, n\u00e3o inspira a menor confian\u00e7a: ele foi presidente da famigerada UNE (eterno instrumento da sanha comunista, no meio estudantil) e, pior, um dos fundadores da AP \u2013 A\u00e7\u00e3o Popular \u2013, a organiza\u00e7\u00e3o radical (depois clandestina) da igreja cat\u00f3lica esquerdista (ap\u00f3stata), toda ela comprometida, desde os tempos de Jango (o presidente latifundi\u00e1rio), em implantar, tamb\u00e9m pela via armada, a ditadura revolucion\u00e1ria, no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Por outro lado, como homem p\u00fablico, Jos\u00e9 Serra se insere naquele padr\u00e3o de gente que acredita, cegamente, na efici\u00eancia do Estado intervencionista, planejador e assistencial, por defini\u00e7\u00e3o, promotor da oligarquia pol\u00edtico-burocrata, especializada em espoliar quem trabalha e pensa em lucro, crescimento e riqueza. Com efeito, difuso cultor da macumba \u201cestruturalista\u201d, tocada nos anos 1960, pela Cepal (a folcl\u00f3rica Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina, estabelecida no Chile), o pol\u00edtico paulista, at\u00e9 hoje, faz, da panac\u00e9ia do governo empreendedor, regulador e fiscalista, a raz\u00e3o imperativa de sua exist\u00eancia p\u00fablica &#8211; e pouco importa que se diga, na atualidade, por estrat\u00e9gia, estar, ele, alinhado a correntes esquerdistas mais \u201cliberalizantes\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste particular, seu fasc\u00ednio pelo controle da vida social (t\u00edpica manifesta\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter totalit\u00e1rio) extrapola o toler\u00e1vel: ele tornou S\u00e3o Paulo um laborat\u00f3rio de proibi\u00e7\u00f5es punitivas, sobretudo, para quem procura, no ato individual ou coletivo de fumar, algum est\u00edmulo para ir levando a vidinha. Um controle social relativista, diga-se, pois o pol\u00edtico Serra, tal como o seu mentor, Fernando Henrique Cardoso , faz parte do bloco que defende \u201camplo debate sobre a quest\u00e3o da droga\u201d e admite um \u201ctratamento diferenciado\u201d para quem a consome \u2013 o que equivale dizer que, no futuro, para governantes que nem Serra, o Estado corrupto pode, muito bem, fornecer coca\u00edna ao viciado, por conta do Er\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">No tocante ao tema do aborto, queira ou n\u00e3o um crime premeditado, pois elimina, conscientemente, a vida em gesta\u00e7\u00e3o, Serra pronuncia-se contra a sua legaliza\u00e7\u00e3o, mas, curiosamente, o encara como \u201cuma quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica\u201d \u2013 o que, no frigir dos ovos, \u00e9 o mesmo que se manifestar, em escala relativista, favor\u00e1vel ao aborto. Por sua vez, como candidato politicamente correto, Serra se declara \u201cfavor\u00e1vel ao casamento gay\u201d, caso tal proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Mas h\u00e1 projeto mais perigoso, na agenda do candidato Serra: como homem p\u00fablico &#8220;avesso aos militares\u201d, leia-se Ex\u00e9rcito Nacional, ele pretende, caso chegue \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica, propor a cria\u00e7\u00e3o de Minist\u00e9rio da Seguran\u00e7a P\u00fablica. Seu entendimento, segundo propala, \u00e9 de que \u201ca Uni\u00e3o precisa estar \u00e0 frente da coordena\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a, inclusive com maior presen\u00e7a no controle das fronteiras\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O que significa isto? Um caso de rancor acumulado? Mais um minist\u00e9rio? E o da Defesa, para que serve? Estaria, neste caso, o engajado Serra, tal como Hugo Ch\u00e1vez e o tr\u00eafego Barack Obama, querendo uma for\u00e7a especial, subordinada aos feiti\u00e7os ideol\u00f3gicos da \u201csocial-democracia\u201d? Na sua agenda de inten\u00e7\u00f5es, o candidato Serra n\u00e3o esclarece a quest\u00e3o \u2013 o que nos leva a desconfiar dos prop\u00f3sitos totalit\u00e1rios da medida.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">De minha parte, penso que pol\u00edticos, como Jos\u00e9 Serra, devem ser responsabilizados, pela aus\u00eancia de oposi\u00e7\u00e3o real, no pa\u00eds, uma aus\u00eancia criminosa, que, de modo clamoroso, permite o arbitr\u00e1rio Lula exercer o seu governo facinoroso, sem o menor temor ou constrangimento. Como justificativa, em geral, associa-se a omiss\u00e3o oposicionista do PSDB \u00e0 completa identidade ideol\u00f3gica, entre este partido e o partido do governo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">De resto, o pr\u00f3prio Lula, consagrando o \u00f3bvio, confessou estar articulando encontro amistoso, entre Jos\u00e9 Serra e Dilma Rousseff, a candidata (ainda) do governo, para acertar o \u201cmodus operandi\u201d da transi\u00e7\u00e3o do poder, em 2010. Antes, o presidente-sindicalista tinha declarado que, Dilma ou Serra, qualquer um que fosse eleito, o \u201cdeixaria tranquilo\u201d, pois ambos s\u00e3o \u201cdo meu agrado\u201d \u2013 o que, partindo de Lula, transparece dose certa de mal\u00edcia, visto que, a cada dia, fica mais fact\u00edvel o projeto do terceiro mandato.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">O Brasil est\u00e1 numa sinuca de bico. Nele, n\u00e3o existe, mais, a possibilidade da altern\u00e2ncia de id\u00e9ias, na condu\u00e7\u00e3o do poder. Lula, Rousseff, Serra, Ciro Gomes, um pouco menos A\u00e9cio Neves, todos pensam do mesmo modo e agem em fun\u00e7\u00e3o da supremacia do \u201cEstado Forte\u201d &#8211; ente insaci\u00e1vel, que v\u00ea no indiv\u00edduo (e na sociedade) mera fonte de arrecada\u00e7\u00e3o de tributos, para o sustento da gigantesca m\u00e1quina burocr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dir-se-ia que se instalou, no pa\u00eds, o sistema feudal do pensamento \u00fanico, a sustentar, malandramente, os alicerces apodrecidos do Estado provedor, respons\u00e1vel direto pelo abastardamento pol\u00edtico e o conseq\u00fcente esfacelamento moral do povo brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Dentro desta perspectiva, tal como ocorreu com a Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, levar-se-\u00e3o d\u00e9cadas, at\u00e9 que a exacerba\u00e7\u00e3o do pessimismo social, provocado pela inviabilidade do sistema, carregue o Ogro Filantr\u00f3pico, para todo o sempre, numa tempestade de poeira t\u00f3xica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">E, com ela, os seus mentores, cultores e descendentes.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">[<a href=\"history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-5309\" title=\"ipojuca_pontes\" src=\"http:\/\/heinzpechner.org\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/07\/ipojuca_pontes.jpg\" alt=\"ipojuca_pontes\" width=\"92\" height=\"120\" \/><strong>Ipojuca Pontes<\/strong>, autor do livro &#8220;A Manha do Bar\u00e3o&#8221;, em lan\u00e7amento pela Editora Girafa , \u00e9 cineasta, destacado documentarista do cinema brasileiro, jornalista, escritor, cronista e ex-Secret\u00e1rio Nacional da Cultura.<\/p>\n<\/div>\n<p><span style=\"font-family:Arial;font-size:x-small;\"><span style=\"font-family:Arial;font-size:10pt;\"> <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por:Ipojuca Pontes Para alguns especialistas em marketing pol\u00edtico, o nome define o candidato. 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