{"id":9884,"date":"2010-04-12T02:54:25","date_gmt":"2010-04-12T02:54:25","guid":{"rendered":"http:\/\/opatriota.org\/?p=9884"},"modified":"2023-01-16T08:58:57","modified_gmt":"2023-01-16T11:58:57","slug":"os-politicos-e-os-pobres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/opatriota.org\/?p=9884","title":{"rendered":"Os pol\u00edticos e os pobres"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align:right;\"><em><!--more--><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-9902\" title=\"vergonha_nacional\" src=\"http:\/\/opatriota.org\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/vergonha_nacional.jpg\" alt=\"\" width=\"92\" height=\"116\" \/><strong>Acho o Brasil infecto. N\u00e3o tem atmosfera  mental;<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><strong><em> n\u00e3o tem  literatura; n\u00e3o tem arte; <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><strong><em>tem apenas uns pol\u00edticos muito  vagabundos.<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><strong><em>Carlos Drummond de  Andrade<\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><strong><em> <\/em><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:right;\"><strong>Waldo Lu\u00eds  Viana*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">As enchentes e secas c\u00edclicas no  Brasil parecem n\u00e3o ter mesmo solu\u00e7\u00e3o e suas terr\u00edveis consequ\u00eancias recaem  sempre sobre a cabe\u00e7a dos pobres. S\u00e3o estes os que, dolorosa e fatalmente, ir\u00e3o  pagar a conta das trag\u00e9dias.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Pobres  moram mal, em favelas e encostas, submetidos \u00e0 moradia subumana, sujeitos a  escorregamentos, deslizamentos e soterramentos de si pr\u00f3prios e de muitos entes  queridos. Pobres sofrem com a falta d\u2019\u00e1gua e de bens fundamentais de maneira  cr\u00f4nica e esses males s\u00e3o normalmente tratados de forma paliativa e epis\u00f3dica.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Os pol\u00edticos detestam os pobres, com  honrosas e minorit\u00e1rias exce\u00e7\u00f5es, mas fingem sempre gostar muito deles,  principalmente em \u00e9pocas eleitorais. J\u00e1 se disse que as elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o um per\u00edodo  de \u201c<em>delirium tremens<\/em>\u201d para as  oligarquias e plutocracias, que apostam tudo em seus ventr\u00edloquos a serem  eleitos para o Executivo e o Legislativo, cobrando a conta dos gastos de  campanha nos anos posteriores, principalmente o primeiro. Tais despesas vultosas  ser\u00e3o recobradas em termos de impostos, diretos e indiretos, bem como com a  formula\u00e7\u00e3o de fraudes ao Er\u00e1rio e licita\u00e7\u00f5es superfaturadas que preparar\u00e3o o  terreno para a forma\u00e7\u00e3o de caixinhas para as pr\u00f3ximas elei\u00e7\u00f5es. Os eleitos que  n\u00e3o obedecerem ao figurino dos patr\u00f5es n\u00e3o ter\u00e3o oportunidades f\u00e1ceis no pr\u00f3ximo  pleito. E assim segue a vida&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Durante o mandato, conquistado  duramente, os pol\u00edticos querem mesmo os pobres atr\u00e1s dos cord\u00f5es de isolamento.  Eles consideram essa rama da sociedade uma verdadeira praga, porque, enquanto os  ricos s\u00e3o t\u00edmidos para pedir favores (rico faz neg\u00f3cio!), os pobres, segundo a  classe pol\u00edtica, s\u00e3o sempre carentes, ao receberem benesses ou melhorias mal  agradecem e a seguir v\u00e3o pedindo, sem cessar, novos favores. Quando s\u00e3o  apanhados no c\u00edrculo vicioso das dificuldades de eleitores dos grot\u00f5es  miser\u00e1veis, os pol\u00edticos morrem de raiva dos pedidos constantes e querem se  libertar dessas podres armadilhas propondo obras de fachada, muitas vezes  desnecess\u00e1rias ou sup\u00e9rfluas, mas que marquem a sua atua\u00e7\u00e3o junto a qualquer  governo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">E os  pol\u00edticos sempre apostam que os pobres v\u00e3o esquecer logo de quem elegeram,  porque t\u00eam que continuar a tocar suas vidas miser\u00e1veis, e contam com a mem\u00f3ria  curta dos eleitores no sentido de que esque\u00e7am suas vilanias e  safadezas.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">No Brasil, quando acontecem trag\u00e9dias,  os pol\u00edticos gostam de sumir j\u00e1 que nada t\u00eam a dizer. N\u00e3o adianta fazer  promessas contra fatos inarred\u00e1veis nem utilizar o escape psicanal\u00edtico de  culpar os outros, os antecessores \u201cque nada fizeram\u201d, ou apenas consolar os  aflitos, lembrando o pa\u00eds do futuro que nunca vem, bem como repetir \u00a0os esfarrapados e hip\u00f3critas pedidos a Deus.  Tais estrat\u00e9gias, depois do leite derramado, lembram muito as tentativas in\u00fateis  de reanimar um defunto por infarto agudo ou infec\u00e7\u00e3o generalizada. N\u00e3o t\u00eam  jeito&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">O solo urbano brasileiro \u00e9 diferente  do solo rural. Uma cidade \u00e9 um local onde muitos habitantes se juntam em troca  de abastecimento, seguran\u00e7a e bem-estar e isso \u00e9 um fato sociol\u00f3gico e conhecido  desde a Idade M\u00e9dia. O solo rural \u00e9 diferente: ele \u00e9 ocupado de maneira mais  rarefeita, os bens im\u00f3veis s\u00e3o espalhados por dist\u00e2ncias mais seguras, ao inv\u00e9s  de ficarem amontoados, a ponto de algumas propriedades conseguirem escapar de  diversas trag\u00e9dias comuns nas cidades. Se uma fazenda por acaso ficar embaixo  d\u2019\u00e1gua, provavelmente as vizinhas poder\u00e3o escapar da mesma sorte, ou sofrer com  menor intensidade, inclusive porque dist\u00e2ncias grandes correspondem a mudan\u00e7as  na fisionomia dos terrenos, cuja geologia pode variar, tornando alguns locais  mais resistentes \u00e0s intemp\u00e9ries. Mesmo em algumas grandes metr\u00f3poles, v\u00e1rias  \u00e1reas escapam de inunda\u00e7\u00f5es e outras n\u00e3o, demonstrando a heterogeneidade de suas  regi\u00f5es. O que \u00e9 constat\u00e1vel de maneira cr\u00f4nica \u00e9 que, no Brasil, as localidades  mais pobres s\u00e3o as mais afetadas, porque carecem de medidas de ordenamento  urbano e saneamento b\u00e1sico. Nelas, essas camadas miser\u00e1veis amontoam-se,  tentando sobreviver, servindo \u00e0s comunidades ricas da mesma regi\u00e3o,  observando-se a sens\u00edvel mistura de guetos ricos e pobres interagindo em  perigosa fric\u00e7\u00e3o e sintomas v\u00e1rios de  viol\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Neste pa\u00eds, as grandes cidades s\u00e3o  partidas, gerando conflitos insol\u00faveis que emergem de tempos em tempos,  caracterizando uma P\u00e1tria de guerra civil mal declarada, que ressuma pelos  notici\u00e1rios repletos de lutas entre \u201cmocinhos e bandidos\u201d, onde n\u00e3o sabemos quem  \u00e9 o qu\u00ea!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Todavia, essa massa que ocupa lugares  in\u00f3spitos tamb\u00e9m vota e n\u00e3o quer ser removida de onde est\u00e1, pelo simples fato de  n\u00e3o ter para onde ir. N\u00e3o podem se queixar ao bispo nem ao delegado e, na  verdade, nada esperam deles. De vez em quando, recebem a visita de um pol\u00edtico  que, em troca de votos, quer dar uma de \u201cbonzinho\u201d, tentando urbanizar as  favelas no plano vertical, ou seja, maquiar o cen\u00e1rio de casas mal constru\u00eddas e  prestes a cair com alguma melhoria apressada, retirando-se velozmente depois de  eleitos, a fim de melhor \u201ccurtir o  mandato\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Ali\u00e1s, mandato de pol\u00edtico \u00e9 o \u00fanico  matrim\u00f4nio indissol\u00favel garantido em nossa terr\u00edvel sociedade.<\/em> Os pol\u00edticos  recebem os votos e depois que as urnas s\u00e3o fechadas v\u00e3o embora, com pouqu\u00edssimas  exce\u00e7\u00f5es \u2013 eu insisto \u2013 e quando o caldo entorna, isto \u00e9, quando surgem as  enchentes e as trag\u00e9dias eles n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis e n\u00e3o se consideram  respons\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">A palavra \u201cremo\u00e7\u00e3o\u201d, inclusive, virou  palavra feia, porque os pol\u00edticos populistas, demagogos e safados, assessorados  por ONGs piratas, movimentos sociais e pelegos ligados ao governo, n\u00e3o querem  remover os escombros da mis\u00e9ria porque se sustentam com ela. Afinal, os  miser\u00e1veis s\u00e3o manipul\u00e1veis, sem educa\u00e7\u00e3o e t\u00eam mem\u00f3ria curta. A pobreza e a  mis\u00e9ria, infelizmente, alimentam-se apenas do cotidiano. S\u00e3o seres humanos que  vivem s\u00f3 por hoje. No fundo, sabem que n\u00e3o t\u00eam  amanh\u00e3!<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Assim, o solo urbano, al\u00e9m de ser  gerido por legisla\u00e7\u00e3o conservadora e completamente superada numa sociedade de  massas, jamais ser\u00e1 tema relevante de campanha, como no caso dos que se  aproveitam da ind\u00fastria da \u201creforma agr\u00e1ria\u201d. Os dois assuntos, por\u00e9m, t\u00eam  similitudes, porque os conflitos no campo envolvem jagun\u00e7os e sem-terra,  enquanto na <em>urbes<\/em> ou <em>polis<\/em> a luta empreendida \u00e9 entre  favelados, traficantes, milicianos e as camadas mais ricas da classe m\u00e9dia e  abastada, que desejam evidentemente manter a todo custo as leis e o estado de  direito.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">\u00c9 impressionante como os citados  movimentos sociais e ONGs, que fazem tanto barulho ao invadir o solo agr\u00e1rio  produtivo, reivindicando glebas e territ\u00f3rios para sem-terra, \u00edndios e  quilombolas, espantosamente n\u00e3o se manifestam quando o pa\u00eds \u00e9 afligido por secas  e enxurradas nas cidades. Qual o motivo desse sil\u00eancio? Simplesmente porque  mexer nesses temas n\u00e3o rende dinheiro nem verbas cedidas pelo nosso atencioso  governo.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\"><em>Pol\u00edtico, no Brasil, s\u00f3 lida mesmo \u00e9 com  portas arrombadas.<\/em> E, mesmo assim, as verbas destinadas \u00e0s emerg\u00eancias, sem  licita\u00e7\u00f5es ou controle estrito, s\u00e3o desviadas, sem d\u00f3 nem piedade, por motivos  fraudulentos, que v\u00e3o do furto simples \u00e0s caixinhas das pr\u00f3ximas campanhas.  Pol\u00edtico aqui lucra at\u00e9 com desastre de trem. E costuma, nesses casos, at\u00e9 rir,  sacrificando as gordas pregas&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Algumas institui\u00e7\u00f5es nobres do Estado  s\u00e3o acionadas, por\u00e9m, somente para mitigar o fedor dos mortos. Lamenta-se muito  o ocorrido atrav\u00e9s da m\u00eddia, os pobres mobilizam-se para mandar aos seus irm\u00e3os  desalojados e desabrigados roupas, cobertores, rem\u00e9dios e alimentos n\u00e3o  perec\u00edveis \u2013 e fica-se s\u00f3 nisso. N\u00e3o h\u00e1 a\u00e7\u00f5es preventivas ou concertadas,  somente paliativos, que ser\u00e3o repetidos, sem d\u00favida, na pr\u00f3xima trag\u00e9dia. <em>Melhor que a cat\u00e1strofe atual, apenas a  pr\u00f3xima<\/em> \u2013 \u00e9 o slogan oculto dos nossos senhores  pol\u00edticos.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">Al\u00e9m disso, tais senhores desejam que  o clima de estupor e amargo sofrimento seja logo substitu\u00eddo pelas pr\u00f3ximas  atra\u00e7\u00f5es: a Copa do Mundo, daqui a sessenta dias na \u00c1frica do Sul, as elei\u00e7\u00f5es  gerais, em outubro deste ano e, por fim, as promessas da Copa do Mundo de 2014  no Brasil e as Olimp\u00edadas de 2016 na cidade do Rio de Janeiro \u2013 que, juntas,  comporiam o mosaico antecipat\u00f3rio de eventos bons, que contrastariam com a  realidade m\u00e1 que todos vemos envolvendo o pa\u00eds agora.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">E ser\u00e1 com o mesmo cinismo e  desfa\u00e7atez com que tratam o destino atual dos pobres e suas trag\u00e9dias, que ir\u00e3o  os pol\u00edticos \u00e0s ruas, no per\u00edodo eleitoral, tentar apertar suas m\u00e3os, retirando  meleca do nariz de seus filhos pequenos, bebendo cacha\u00e7a nas biroscas e  implorando os mesmos votos que transformam este pa\u00eds nessa sociedade do nada.  Porque ao serem eleitos, os pol\u00edticos v\u00e3o esquecer \u201cdaquelas pragas\u201d,  colocando-as atr\u00e1s dos cord\u00f5es de isolamento e reivindicando para si todos os  privil\u00e9gios que, por quatro anos ininterruptos, insistir\u00e3o sempre em roubar dos  outros.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-9885\" title=\"lula_descontrole-3\" src=\"http:\/\/opatriota.org\/wp-content\/uploads\/2010\/04\/lula_descontrole-3.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"443\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">\n<p style=\"text-align:justify;\">____<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">*Waldo Lu\u00eds Viana \u00e9 escritor,  economista, poeta e desistiu da pol\u00edtica por problemas  estomacais.<\/p>\n<p style=\"text-align:justify;\">Teres\u00f3polis, 11 de abril de  2010.<\/p>\n<p style=\"text-align:center;\">[<a href=\"history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[],"class_list":["post-9884","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-waldo-luis-viana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9884","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=9884"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9884\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71207,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/9884\/revisions\/71207"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=9884"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=9884"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/opatriota.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=9884"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}